terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Advogado do RTE "rouba" minha testemunha

     Quem é preposto sabe: tem dias em que se fica nervoso já na véspera. E esta audiência foi um destes casos. Era uma instrução, onde a prova seria difícil (sim, difícil para a empresa, porque para o reclamante sempre é fácil: traz qualquer um, paga um "troco" e o "vivente" conta tudo, todas as "verdades"), mas consegui uma testemunha (raro, porque eles sempre tem medo de retaliações dos reclamantes - claro, eles se conhecem, principalmente quando a cidade é pequena).
     Naquela tarde, me fui, nervoso, mas seguro. Chegando lá, a testemunha, por mim convidada, me aguardava. Sentamos no saguão de espera. O reclamante também lá já estava, sentando com uma moça. - Deve ser sua testemunha, pensei. Quando se beijaram, vi que era outra coisa. Ele estava sem prova.
     Fiquei tranquilo, pensando que poderia acabar ali e que nem fosse necessário ouvir minha testemunha.
     Sai o pregão, entramos. Passadas as formalidades iniciais, o advogado do reclamante quiz me ouvir. Pensei: "mas que m...". Mas estava tranquilo. Respondi tudo na "tampinha", sem dar chances. O reclamante também foi ouvido.
     Bom, agora é só ouvir nossa testemunha e tá acabado, imaginei.
     Mas como o reclamante estava na ordem para ouvir, o Juiz perguntou sobre testemunha e, para surpresa minha, o advogado disse que tinha alguém para ouvir. - Será que chegou alguém após a nossa entrada na sala de audiências?
     Quando o Juiz perguntou o nome da testemunha e o procurador respondeu que era Pedro (nome fictício), eu "gelei" e senti toda a maldade e falta de ética. Alguns diriam "esperteza".
     Eu e a advogada que me acompanhava ficamos "congelados" por um momento, mas já que a situação era essa, vamos enfrentá-la...
     Começam as perguntas. A testemunha responde tudo na "bucha". As respostas correspondiam ao que eu havia declarado ao Juiz, quando da minha oitiva. O "digitador de ata" chegou a perguntar ao Juiz: - Excelência, é mesmo testemunha do reclamante? - Sim, sim, respondeu o Juiz, meio desconfiado.
     Segue-se o "bombardeio" de perguntas. Aí o Juiz não se conteve: - É mesmo sua testemunha Dr.?
     Estava ficando constrangedor para o procurador da outra parte. Eu tive que me conter, para não cair em gargalhada.
     Após terminado a "chuva" de perguntas, o Juiz passa a palavra à minha procuradora. Ela olha para mim: - tens alguma pergunta? Eu respondi: - não! Olhou para o Juiz: - sem mais perguntas Excelência.
     Todos saíram quietos da sala. Cada um com o seu silêncio (silêncios diferentes, é claro).
     A sentença não saiu ainda, mas estou tranquilo, muito tranquilo.
    

3 comentários:

  1. OBRIGADA LINDO CORAÇÃO. SEUS TEXTOS SÃO EXCELENTES, EU OS ADORO. MATOU MINHA SAUDADE!

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  2. Obrigado Dani,
    Estou deixando um pouco de lado este blog, pois tenho me dedicado mais a outros blogs.
    Vamos ver se sobra mais tempo para dedicar ao Pelas Salas de Audiência...
    Abração,

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  3. Obrigado, Fábio. É um prazer recebê-lo aqui. Visite mais vezes.

    Abraço,

    Celso Ceschini

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